
Passei dias pensando em algum tema sobre o qual eu pudesse escrever aqui no blog. Não consegui. Não que eu estivesse sofrendo um bloqueio criativo. A questão é que nesses últimos dias eu estou tão brava, ensandecida, possuída por ódio e todas as outras coisas ruins em que você conseguir pensar, que eu não fui capaz de “criar” absolutamente nada. Ok. Como um último recurso, numa tentativa de vida ou morte, como uma cirurgia de emergência em um paciente num estado de saúde fragilizado, decidi escrever sobre aquilo o que vem me atormentando.
Indo direto ao assunto, o que acontece é que minha “melhor amiga” (com quem eu passei meus dois primeiros anos da faculdade, sentamos uma ao lado da outra durante todos esses dias, trocamos confidências e todas essas coisas que as garotas fazem), enfim, esta pessoa, decidiu que iria mudar de sala, passar da turma “A” para a turma “B” (onde ela não conhece ninguém) simplesmente porque ela “decidiu” que odiava a turma “A”, não suportava nenhuma pessoa daquela turma, e enfim. Quando retornamos das férias de Julho ela já estava na outra sala, porém, nos víamos todos os dias no intervalo e até então me parecia que as coisas continuariam como sempre foram.
Depois da euforia da primeira semana de aula, eu me tornei mais próxima de pessoas que eu pouco conhecia na sala e, principalmente, da garota que agora estava sentada ao meu lado. Em meio a isso, minha “melhor amiga” passou a vir me visitar no intervalo com menos frequência e quando ela vinha sempre dava uma indireta doída do tipo “o que aconteceu com o ‘amigas para sempre?’”. De certa forma os assuntos dela passaram a não me interessar tanto assim, era como se ela sempre dissesse as mesmas coisas e “agredisse” verbalmente pessoas que me ajudaram quando eu fiquei sozinha na turma “A”. Outras coisas aconteceram, por exemplo, o fato de ela ter reprovado em uma matéria que eu jurava ter reprovado também, porém, acabei me esforçando nos últimos meses e tirei uma nota boa na última prova o que me fez passar para o próximo semestre; e aí, quando eu contei a ela que eu tinha passado, ao invés de ela ficar feliz por eu não ter de fazer aquela matéria mais uma vez, ela fechou a cara, não falou mais comigo da mesma forma, e sempre arranjava um jeito de me “jogar, indiretamente, na cara” que eu a havia abandonado.
Oras, é aqui que começa o meu problema. Eu sinto que não a abandonei, até porque tudo o que eu fiz foi estudar em uma matéria em que eu tinha dificuldade e conseguir recuperar notas ruins que eu tinha na média. Também me aproximei de pessoas que ela “detesta” porque ela mudou de sala, deixando bem claro que não se importava como ia ser a minha vida numa sala cheia de meninas e meninos mimados e metidos, filhas e filhos de excelentíssimos juízes, promotores, e autoridades da região. Por que agora, eu, teria de me importar com a vida dela em uma sala onde e-l-a decidiu estudar? Fui eu que a abandonei?



Alessandra Paniguel. Alê para os amigos. Uma 
